E cá estou eu, de novo. Devo dizer que desapareci por totalmente falta de tempo. Como há alguns meses, minha vida está sendo atacada por turbilhões de coisas... vou recapitular, um por um, para que todos possam se situar novamente na minha vida. Tumultuada. E que sim... daria um livro.
Aborto, emprego, risco, gravidez, Andrey, aborto...
Pois é... as minhas últimas notícias falavam sobre o meu aborto. Fase difícil aquela, viu? Depois disso... segui minha vida. Chacoalhei o corpo, levantei a poeira e fui procurar emprego. Como a crise pegou em cheio a economia japonesa... essa tarefa foi um tanto difícil. Não há vagas. E quando têm, não entro nos padrões exigidos. Mas entre tantos telefonemas, consegui um. Há uns 40 minutos de trem daqui e mais 40 a pé. Aceitei. Salário bom, serviço razoavelmente fácil.
O único problema é que eles não tinham avisado que o serviço não era exatamente naquela cidade e que eu teria que me mudar. Sim e pra bem longe da minha casa.
Não, não dava. Pô, como lidar com a distância com o Douglas? Apesar de precisar juntar dinheiro porque queríamos ir embora, não dava. E rejeitei a proposta.
Estava novamente desempregada. Mas já na mesma semana encontrei outra vaga e comecei a trabalhar. Assim como toda empresa, tive que fazer exames rotineiros na admissão. Só que pra nossa surpresa veio um aviso do hospital pedindo para que retornasse para refazer os exames e que provavelmente eu estaria... grávida.
Ahn, como assim?
Pois é. Depois do susto, logo pensei... Foi Deus que me deu outra benção... Ele viu que fiquei tão triste... mas pasmem novamente. Não, não era uma outra benção, era a MESMA benção. O médico e sua equipe ERRARAM e não fizeram o aborto. A sindicância está aberta e o caso está sendo investigado, mas a suspeita é que apenas deram remédios para parar a hemorragia e não fizeram curetagem, nem nada.
Como eu havia sido sedada e cheguei ainda dormindo em casa, não posso falar nada. O meu amigo que me acompanhou durante toda a estadia no hospital só conseguiu entrar em contato comigo quando estava qse para sair. Ou seja, estavámos todos de mãos atadas para entender o que realmente aconteceu.
Pois é. Grávida!!! Meu bebê resistiu a tudo... e lutou bravamente. A gravidez era de risco, mas naquele instante se tornara muito mais.
Tive que parar de trabalhar... repouso absoluto. Apesar de interromper todos os planos, eu e o Douglas estávamos felizes e muito orgulhosos do nosso guerreiro!!! Quando soubemos o sexo, ele escolheu o nome: Andrey Kendi Akagi.
Tudo estava tão bem. Mas a cada exame realizado, mais preocupação surgia. O coraçãozinho do Andrey estava muito fraco. Eu rezava, pedia a Deus que fortalecesse o coração dele para aguentar firme...
Vou resumir a história porque ainda é penoso pra mim.
Mas no último dia 19... o nosso Andrey não aguentou. O coração dele estava fraco, ele não tinha mais forças para se nutrir... e virou um anjinho que está a cuidar de todos nós. Tô sofrendo, tá difícil demais.
Eu já tinha ouvido o coração... visto e sentido ele se mexer... mesmo sem ter visto ainda, ele já era meu filho amado... e dói lembrar que daqui alguns meses ele não estará aqui. E que não, eu não serei mãe.
Meu espaço para passar o tempo, compartilhar alegrias, tristezas... Enfim, minha terapia.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Enfim, que vc tenha tudo em dobro!
Que coisa feia! Abandonei meu fiel companheiro que me amparou em todos os momentos ruins que eu tive ultimamente na minha vida!! Já nem sei mais escrever direito nele, perdi a linha de raciocínio!
Bem... a vida tem voltado ao normal aos poucos. Estou vivendo dia após dia, sem planejar muito além de vinte quatro horas a mais. Eu até quero planejar o futuro, mas depois de tudo que aconteceu, eu não consigo. Tenho medo. Expectativas acabam dando adrenalina e esperança para o nosso coração, mas quando vc se vê incapacitado de concluir todas, a decepção é tão grande. Eu sei disso.
Nesse sumiço derrubei tantas lágrimas. Brigas, desentendimentos, pessoas totalmente má intencionadas entram e saem da minha vida. Pessoas que nem sei se posso chamá-las assim porque meu conceito de pessoa é alguém que tem sentimento, um ser humano. E não um bicho que age por instinto, por maldade. Maldade que aliás eu jamais conheci e nem queria ter a oportunidade de ter conhecido.
Vcs não devem estar entendendo nada. Mas vou explicar.
De um dia para o outro eu me vi longe da pessoa que eu mais amo nessa vida e que me mais me acompanhou e me ajudou. Um ex relacionamento aparece pra dizer que eles têm um filho juntos. Depois de um ano de sumiço. Pra quê?
O filho existe? Por que não nos mostra? Por que não nos fala a idade da criança? Por que o tal advogado não aparece? Por que não faz logo o exame?
...
Sete anos se passaram, quase oito. E ela não se esqueceu do amor que hoje eu provo. Sim, todo esse tempo parada em um amor que jamais foi tão forte como ela imagina até hoje. E nessa loucura e procura incessante de um retorno, ela nos envolve. Me irrita, me encomoda sim. Não vou negar. Ela consegue dizer coisas que machucam a alma, lá dentro.
...
Essa mais recente, mas talvez a mais "venenosa". Invejosa. Só podia ser das piores. Faz intrigas, inventa mentiras, traia o namorado e procurava o meu. Graças a Deus que ele já sabia muito bem como ela era, mas tudo só fez com que ele tivesse a certeza de que o melhor seria se afastar. Não só dela e sim de todas as laranjas podres que cercam essa. Me criticou, falou da minha doença, do meu caráter.
Antes da minha vida eu nunca permiti que falassem da minha vida, da minha pessoa. Nunca dei abertura pra ninguém fazer isso. Nem amigo, nem família, nem ninguém. Depois que fiquei doente, esse meu lado ficou muito mais acentuado. Não sei se foi uma maneira de me proteger dos comentários maldosos e cortantes. Não sei.
Falar que serei para sempre uma mulher "seca" que jamais vou conseguir dar a felicidade ao homem que eu amo? Ter a audácia de dizer que o homem que vive ao meu lado está apenas comigo por dó?
Eu não sei o futuro, não tenho nenhum dom para fazer previsões e nem quero. Mas uma coisa eu sei. O que sou capaz e quando eu quero, eu batalho até o fim. Cheguei ao fim de um tratamento tão penoso, não cheguei? Minha vida nunca foi fácil e não está sendo em nenhum momento que resolvi morar longe do meu país.
Pois é, então a felicidade que talvez ela tenha dito eu já sei muito bem como encontrar e como proporcionar. Não só para a pessoa que eu amo e sim para todos que me cercam e que me querem bem. Realmente bem.
A receita? Vou ser eu. A Dani que teve câncer, que é brigada com a família, que mora no Japão, que perdeu um bebê e que é imensamente agradecida a Deus por TUDO que tem proporcionado em sua vida. Cada momento ruim e cada momento bom. Porque os ruins são os que nos fazem aprender e a crescer. E os bons apenas nos fazem ver o quanto tudo vale a pena.
Então, a receita é essa. Talvez essas pessoas nunca consigam seguir essa receita tão simples, mas isso é porque se preocupam demais em acabar com o que os outros têm e se esquecem de suas próprias vidas.
Não há escola melhor do que a própria vida, portanto eu desejo que vcs tenham tudo em dobro. Tudo o que vcs me desejam ou desejaram, que venha em dobro pra vcs.
Bem... a vida tem voltado ao normal aos poucos. Estou vivendo dia após dia, sem planejar muito além de vinte quatro horas a mais. Eu até quero planejar o futuro, mas depois de tudo que aconteceu, eu não consigo. Tenho medo. Expectativas acabam dando adrenalina e esperança para o nosso coração, mas quando vc se vê incapacitado de concluir todas, a decepção é tão grande. Eu sei disso.
Nesse sumiço derrubei tantas lágrimas. Brigas, desentendimentos, pessoas totalmente má intencionadas entram e saem da minha vida. Pessoas que nem sei se posso chamá-las assim porque meu conceito de pessoa é alguém que tem sentimento, um ser humano. E não um bicho que age por instinto, por maldade. Maldade que aliás eu jamais conheci e nem queria ter a oportunidade de ter conhecido.
Vcs não devem estar entendendo nada. Mas vou explicar.
De um dia para o outro eu me vi longe da pessoa que eu mais amo nessa vida e que me mais me acompanhou e me ajudou. Um ex relacionamento aparece pra dizer que eles têm um filho juntos. Depois de um ano de sumiço. Pra quê?
O filho existe? Por que não nos mostra? Por que não nos fala a idade da criança? Por que o tal advogado não aparece? Por que não faz logo o exame?
...
Sete anos se passaram, quase oito. E ela não se esqueceu do amor que hoje eu provo. Sim, todo esse tempo parada em um amor que jamais foi tão forte como ela imagina até hoje. E nessa loucura e procura incessante de um retorno, ela nos envolve. Me irrita, me encomoda sim. Não vou negar. Ela consegue dizer coisas que machucam a alma, lá dentro.
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Essa mais recente, mas talvez a mais "venenosa". Invejosa. Só podia ser das piores. Faz intrigas, inventa mentiras, traia o namorado e procurava o meu. Graças a Deus que ele já sabia muito bem como ela era, mas tudo só fez com que ele tivesse a certeza de que o melhor seria se afastar. Não só dela e sim de todas as laranjas podres que cercam essa. Me criticou, falou da minha doença, do meu caráter.
Antes da minha vida eu nunca permiti que falassem da minha vida, da minha pessoa. Nunca dei abertura pra ninguém fazer isso. Nem amigo, nem família, nem ninguém. Depois que fiquei doente, esse meu lado ficou muito mais acentuado. Não sei se foi uma maneira de me proteger dos comentários maldosos e cortantes. Não sei.
Falar que serei para sempre uma mulher "seca" que jamais vou conseguir dar a felicidade ao homem que eu amo? Ter a audácia de dizer que o homem que vive ao meu lado está apenas comigo por dó?
Eu não sei o futuro, não tenho nenhum dom para fazer previsões e nem quero. Mas uma coisa eu sei. O que sou capaz e quando eu quero, eu batalho até o fim. Cheguei ao fim de um tratamento tão penoso, não cheguei? Minha vida nunca foi fácil e não está sendo em nenhum momento que resolvi morar longe do meu país.
Pois é, então a felicidade que talvez ela tenha dito eu já sei muito bem como encontrar e como proporcionar. Não só para a pessoa que eu amo e sim para todos que me cercam e que me querem bem. Realmente bem.
A receita? Vou ser eu. A Dani que teve câncer, que é brigada com a família, que mora no Japão, que perdeu um bebê e que é imensamente agradecida a Deus por TUDO que tem proporcionado em sua vida. Cada momento ruim e cada momento bom. Porque os ruins são os que nos fazem aprender e a crescer. E os bons apenas nos fazem ver o quanto tudo vale a pena.
Então, a receita é essa. Talvez essas pessoas nunca consigam seguir essa receita tão simples, mas isso é porque se preocupam demais em acabar com o que os outros têm e se esquecem de suas próprias vidas.
Não há escola melhor do que a própria vida, portanto eu desejo que vcs tenham tudo em dobro. Tudo o que vcs me desejam ou desejaram, que venha em dobro pra vcs.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Nada foi fácil. Não seria agora
Olá meus amores... Abandonei o blog, né? Mas juro que não foi tão por minha vontade. Foi por falta de oportunidade mesmo. Essa última semana tem sido um caos na minha vida. Tô me recuperando do baque.
Pois é, Deus quis assim. Deus levou o meu bebê para ficar mais perto dele. Sem nem menos deixar eu e o papai conhecer. Ouvi o coraçãozinho, vi o começo da sua formação. Mas foi isso. Só isso. Porém o suficiente para eu amar o meu filhote pra todo sempre. Sentir falta de conversar com ele, de imaginar e de sentir.
Gente, eu estava muito feliz. Sim, preocupada. Afinal uma vidinha dentro de mim e a incerteza do futuro. Eu queria, mas ainda não estamos financeiramente estáveis. E eu queria ter filhos em uma fase assim.
Sem dizer que meu tratamento acabou agora... aliás terminou um pouco adiantado por causa do bebê. Seria difícil, seria arriscado, mas eu sei que iria valer a pena. Mas não deu. Meu filhote não resistiu.
Deus me dê forças. É tudo que eu peço. Porque eu quero ser feliz, eu quero ser mãe, eu quero continuar sendo esposa. Eu quero, eu preciso.
Paz, por favor.
Pois é, Deus quis assim. Deus levou o meu bebê para ficar mais perto dele. Sem nem menos deixar eu e o papai conhecer. Ouvi o coraçãozinho, vi o começo da sua formação. Mas foi isso. Só isso. Porém o suficiente para eu amar o meu filhote pra todo sempre. Sentir falta de conversar com ele, de imaginar e de sentir.
Gente, eu estava muito feliz. Sim, preocupada. Afinal uma vidinha dentro de mim e a incerteza do futuro. Eu queria, mas ainda não estamos financeiramente estáveis. E eu queria ter filhos em uma fase assim.
Sem dizer que meu tratamento acabou agora... aliás terminou um pouco adiantado por causa do bebê. Seria difícil, seria arriscado, mas eu sei que iria valer a pena. Mas não deu. Meu filhote não resistiu.
Deus me dê forças. É tudo que eu peço. Porque eu quero ser feliz, eu quero ser mãe, eu quero continuar sendo esposa. Eu quero, eu preciso.
Paz, por favor.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Após a tempestade, o arco-íris.
Meus "coisos" lindos. Abandonado isso aqui, não? Sempre lembro do blog, sempre tenho vontade de escrever, mas nem sempre tenho o que falar. Até tenho, só não sei se são coisas úteis e boas para os outros perderem o tempo de ler!
Cá estou. Com uma novidade que vai arrepiar o cabelo de muita gente. Já arrepiou o meu (ironic mode on) e do meu Amoreco!
Sabe essa imagem aí do lado?? Pois é. É a primeira foto do meu bebê, do nosso bebê. Veio em uma hora totalmente inapropriada já que meu tratamento estava em reta final. Não vou mais fazer radioterapia, a quimioterapia foi totalmente alterada. Graças a Deus que "meu" câncer já havia sido curado. E espero que a gravidez não "atrapalhe" minha recuperação, pois eu jamais me perdoaria de não ser uma ótima mãe.
Passado o susto, estou muito feliz. Sempre foi meu sonho ser mãe. E desde que estou junto com o Douglas tenho pensando muito em casar, ter filhos, enfim, construir uma família!
Quando foi diagnosticado o câncer, o médico deixou claro que talvez eu tivesse que operar e retirar meu útero. Ou seja, não teria mais filhos de jeito nenhum. O meu Amor já foi me tranquilizando e falando que não teria problemas porque adotaríamos um. Mas aquela sensação de não poder gerar um filho dentro do meu ventre é estranha. E digo, ruim demais.
Estou com mais ou menos quatro semanas. E além de um turbilhão de sensações e preocupações também, o momento mais "marcante" foi quando o meu Amor me perguntou se já dava pra ouvir o coração do nosso "girino". Claro, respondi que não, apenas com ultrassom, mas ele garantia que dava e pôs o ouvido na minha barriga. Disse que queria que eu ficasse com um barrigão pra ele ficar passando a mão...
Contive minhas lágrimas porque a felicidade tomou conta de mim e a vida me fez enxergar, novamente, o quanto tudo vale a pena. Muito obrigada, meu Deus!
Cá estou. Com uma novidade que vai arrepiar o cabelo de muita gente. Já arrepiou o meu (ironic mode on) e do meu Amoreco!
Sabe essa imagem aí do lado?? Pois é. É a primeira foto do meu bebê, do nosso bebê. Veio em uma hora totalmente inapropriada já que meu tratamento estava em reta final. Não vou mais fazer radioterapia, a quimioterapia foi totalmente alterada. Graças a Deus que "meu" câncer já havia sido curado. E espero que a gravidez não "atrapalhe" minha recuperação, pois eu jamais me perdoaria de não ser uma ótima mãe.Passado o susto, estou muito feliz. Sempre foi meu sonho ser mãe. E desde que estou junto com o Douglas tenho pensando muito em casar, ter filhos, enfim, construir uma família!
Quando foi diagnosticado o câncer, o médico deixou claro que talvez eu tivesse que operar e retirar meu útero. Ou seja, não teria mais filhos de jeito nenhum. O meu Amor já foi me tranquilizando e falando que não teria problemas porque adotaríamos um. Mas aquela sensação de não poder gerar um filho dentro do meu ventre é estranha. E digo, ruim demais.
Estou com mais ou menos quatro semanas. E além de um turbilhão de sensações e preocupações também, o momento mais "marcante" foi quando o meu Amor me perguntou se já dava pra ouvir o coração do nosso "girino". Claro, respondi que não, apenas com ultrassom, mas ele garantia que dava e pôs o ouvido na minha barriga. Disse que queria que eu ficasse com um barrigão pra ele ficar passando a mão...
Contive minhas lágrimas porque a felicidade tomou conta de mim e a vida me fez enxergar, novamente, o quanto tudo vale a pena. Muito obrigada, meu Deus!
terça-feira, 28 de abril de 2009
Sra Ministra
Deu em todos os jornais: a ministra Dilma Rousseff está em tratamento contra um tipo de câncer, o linfoma. Eu e meu amor assistimos, ao vivo, a entrevista concedida por ela e pelos médicos. Toda a imprensa estava por lá e transmissão de telejornal foi interrompida para a declaração.
Tudo aquilo me fez lembrar de como é difícil ter câncer. Aquelas perguntas dos jornalistas, todas amontoadas, afobadas, todas de uma vez. O tumulto. Toda aquela "cena" é o que passa dentro da gente. Sim, quando o médico confirma a doença o tumulto se faz presente. Passa um filme, vem o medo, a insegurança e as dúvidas teimam em nos perseguir. Dúvida de tudo: vai doer, quanto tempo, vou ter sequelas e a pior, vou me curar.
O que me deixou mais triste é ver a declaração da ministra. Em vários momentos ela ressaltou o tratamento do hospital que ela está se tratando. Um hospital famoso e sim, muito caro. Digno apenas para quem tem um pouco mais de dinheiro ou é famoso, ou é político.
Queria mesmo que todos os brasileiros que esta mesma ministra representa pudessem ter o mesmo tratamento. Talvez assim menos morressem. Sofrer é inevitável, pois mesmo que sejamos fortes em algum momento a confiança cede e damos espaço pro sofrimento.
Eu tive a sorte de estar em um país de primeiro mundo. Não que aqui a medicina seja muito avançada, pelo contrário, as vezes penso que aqui tudo é arcaico. Mas não posso reclamar do meu tratamento e da oportunidade que tive pra me curar.
Só queria que com essa experiência que a Ministra há de superar fizesse ela refletir sobre as condições reais da saúde do nosso país.
Tudo aquilo me fez lembrar de como é difícil ter câncer. Aquelas perguntas dos jornalistas, todas amontoadas, afobadas, todas de uma vez. O tumulto. Toda aquela "cena" é o que passa dentro da gente. Sim, quando o médico confirma a doença o tumulto se faz presente. Passa um filme, vem o medo, a insegurança e as dúvidas teimam em nos perseguir. Dúvida de tudo: vai doer, quanto tempo, vou ter sequelas e a pior, vou me curar.
O que me deixou mais triste é ver a declaração da ministra. Em vários momentos ela ressaltou o tratamento do hospital que ela está se tratando. Um hospital famoso e sim, muito caro. Digno apenas para quem tem um pouco mais de dinheiro ou é famoso, ou é político.
Queria mesmo que todos os brasileiros que esta mesma ministra representa pudessem ter o mesmo tratamento. Talvez assim menos morressem. Sofrer é inevitável, pois mesmo que sejamos fortes em algum momento a confiança cede e damos espaço pro sofrimento.
Eu tive a sorte de estar em um país de primeiro mundo. Não que aqui a medicina seja muito avançada, pelo contrário, as vezes penso que aqui tudo é arcaico. Mas não posso reclamar do meu tratamento e da oportunidade que tive pra me curar.
Só queria que com essa experiência que a Ministra há de superar fizesse ela refletir sobre as condições reais da saúde do nosso país.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Surpresa boa
Só notícias boas. A primeira: minha quimio está acabando. Faltam apenas 4 sessões. E sim, comecinho do mês que vem tudo deve acabar. Aquele pesadelo que começou no início deste ano já está no fim. Do mesmo jeito que quando tive o diagnóstico eu não acreditei, eu também não estou acreditando que tá acabando! Deus queira que eu esteja recuperada. Deus queira.
Outra notícia. Talvez eu vá embora! Se tudo der certo, se a proposta der certo, eu e meu amor estamos de passagem marcada. Estamos indo embora pro nosso país, perto dos nossos familiares. Vamos construir nossa casa, ter nossa vida. Haja felicidade!!!!!
E... uma surpresa mto legal! Quando eu criei este blog eu não pensei na repercussão dele. Não pensei que muitas pessoas pudessem acompanhá-lo. E a cada diz eu me surpreendo pelos recados deixados. São pessoas que estão vivendo o mesmo momento que eu, são pessoas que conhecem histórias parecidas com a minha, amigos. Queria agradecer a todos que acompanham meu blog e que eu possa ajuda-los, de alguma forma. Fico muito feliz. De verdade. E quem está nessa batalha só peço força. Muita força.
Outra notícia. Talvez eu vá embora! Se tudo der certo, se a proposta der certo, eu e meu amor estamos de passagem marcada. Estamos indo embora pro nosso país, perto dos nossos familiares. Vamos construir nossa casa, ter nossa vida. Haja felicidade!!!!!
E... uma surpresa mto legal! Quando eu criei este blog eu não pensei na repercussão dele. Não pensei que muitas pessoas pudessem acompanhá-lo. E a cada diz eu me surpreendo pelos recados deixados. São pessoas que estão vivendo o mesmo momento que eu, são pessoas que conhecem histórias parecidas com a minha, amigos. Queria agradecer a todos que acompanham meu blog e que eu possa ajuda-los, de alguma forma. Fico muito feliz. De verdade. E quem está nessa batalha só peço força. Muita força.
NEOQEAV
Meus avós já estavam casados há mais de cinqüenta anos, e continuavam jogando um jogo que haviam iniciado quando começaram a namorar.
A regra do jogo era que, um tinha que escrever a palavra "Neoqeav" em um lugar inesperado, para o outro encontrar, e assim que a encontrasse, deveria escrevê-la em outro lugar, e assim sucessivamente.
Eles se revezavam deixando "Neoqeav" escrita por toda a casa, e assim que um
a encontrava, era sua vez de escondê-la em outro local, para o outro achar.
Eles escreviam "Neoqeav" com os dedos no açúcar, dentro do açucareiro,ou no pote de farinha, para que o próximo que fosse cozinhar achasse.
Escreviam na janela embaçada pelo sereno, que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim, que ela fazia com tanto carinho.
"Neoqeav" era escrita no vapor deixado no espelho, depois de um banho quente, onde a palavra iria reaparecer depois do próximo banho.
Uma vez, minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para deixar "Neoqeav" na última folha, e enrolou tudo de novo. Não havia limites para onde "Neoqeav" pudesse surgir.
Pedacinhos de papel com "Neoqeav" rabiscado apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam.
Os bilhetes eram enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros.
"Neoqeav" era escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras, e nas cinzas da lareira.
Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós, quanto da mobília.
Levou bastante tempo para eu passar a entender completamente e gostar deste jogo que eles jogavam.
Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e verdadeiro amor, que possa ser realmente puro e duradouro.
Porém, eu nunca duvidei do amor entre meus avós.
Este amor era profundo!
Era mais do que um jogo de diversão, era um modo de vida!
Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada, igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar.
O vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam.
Roubavam beijos um do outro, sempre que se batiam um contra outro, naquela cozinha tão pequena.
Eles conseguiam terminar a frase incompleta do outro, e todo dia resolviam juntos, as palavras cruzadas do jornal.
Minha avó cochichava para mim, dizendo o quanto meu avô era bonito, como ele havia se tornado um velho bonito e charmoso, e ela se gabava de dizer que sabia como pegar os namorados mais bonitos.
Antes de cada refeição eles se reverenciavam, e davam graças a Deus, e bençãos aos presentes por sermos uma família maravilhosa, para continuarmos sempre unidos e com boa sorte.
Mas uma nuvem escura surgiu na vida de meus avós: minha avó tinha câncer de mama.
A doença tinha primeiro aparecido dez anos antes.
Como sempre, vovô estava com ela a cada momento.
Ele a confortava no quarto amarelo deles, que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse sempre rodeada da luz do sol, mesmo quando ela não tivesse forças para sair.
O câncer agora estava, de novo, atacando seu corpo.
Com a ajuda de uma bengala e a mão firme do meu avô, eles iam à igreja toda manhã.
E minha avó foi ficando cada vez mais fraca, até que, finalmente, ela não mais podia sair de casa.
Por algum tempo, meu avô resolveu ir à igreja sozinho, rezando a Deus para zelar por sua esposa.
E então, o que todos nós temíamos aconteceu: vovó partiu...
"Neoqeav" foi gravada em amarelo, nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores, do funeral da vovó.
Quando os amigos começaram a ir embora, minhas tias, tios, primos e outras pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.
Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e, num suspiro bem profundo, começou a cantar para ela.
Através de suas lágrimas e pesar, a música surgiu como uma canção de ninar que vinha bem de dentro de seu ser.
Sentindo-me muito triste, nunca vou me esquecer daquele momento.
Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender completamente a profundeza daquele amor, eu tinha tido o privilégio de testemunhar a beleza sem igual que aquilo
representava...
Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando:
"Mas o que Neoqeav significa?"
Essa linda palavra quer dizer:
"NEOQEAV" = NUNCA ESQUEÇA O QUANTO EU AMO VOCÊ!!!
A regra do jogo era que, um tinha que escrever a palavra "Neoqeav" em um lugar inesperado, para o outro encontrar, e assim que a encontrasse, deveria escrevê-la em outro lugar, e assim sucessivamente.
Eles se revezavam deixando "Neoqeav" escrita por toda a casa, e assim que um
a encontrava, era sua vez de escondê-la em outro local, para o outro achar.
Eles escreviam "Neoqeav" com os dedos no açúcar, dentro do açucareiro,ou no pote de farinha, para que o próximo que fosse cozinhar achasse.
Escreviam na janela embaçada pelo sereno, que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim, que ela fazia com tanto carinho.
"Neoqeav" era escrita no vapor deixado no espelho, depois de um banho quente, onde a palavra iria reaparecer depois do próximo banho.
Uma vez, minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para deixar "Neoqeav" na última folha, e enrolou tudo de novo. Não havia limites para onde "Neoqeav" pudesse surgir.
Pedacinhos de papel com "Neoqeav" rabiscado apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam.
Os bilhetes eram enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros.
"Neoqeav" era escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras, e nas cinzas da lareira.
Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós, quanto da mobília.
Levou bastante tempo para eu passar a entender completamente e gostar deste jogo que eles jogavam.
Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e verdadeiro amor, que possa ser realmente puro e duradouro.
Porém, eu nunca duvidei do amor entre meus avós.
Este amor era profundo!
Era mais do que um jogo de diversão, era um modo de vida!
Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada, igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar.
O vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam.
Roubavam beijos um do outro, sempre que se batiam um contra outro, naquela cozinha tão pequena.
Eles conseguiam terminar a frase incompleta do outro, e todo dia resolviam juntos, as palavras cruzadas do jornal.
Minha avó cochichava para mim, dizendo o quanto meu avô era bonito, como ele havia se tornado um velho bonito e charmoso, e ela se gabava de dizer que sabia como pegar os namorados mais bonitos.
Antes de cada refeição eles se reverenciavam, e davam graças a Deus, e bençãos aos presentes por sermos uma família maravilhosa, para continuarmos sempre unidos e com boa sorte.
Mas uma nuvem escura surgiu na vida de meus avós: minha avó tinha câncer de mama.
A doença tinha primeiro aparecido dez anos antes.
Como sempre, vovô estava com ela a cada momento.
Ele a confortava no quarto amarelo deles, que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse sempre rodeada da luz do sol, mesmo quando ela não tivesse forças para sair.
O câncer agora estava, de novo, atacando seu corpo.
Com a ajuda de uma bengala e a mão firme do meu avô, eles iam à igreja toda manhã.
E minha avó foi ficando cada vez mais fraca, até que, finalmente, ela não mais podia sair de casa.
Por algum tempo, meu avô resolveu ir à igreja sozinho, rezando a Deus para zelar por sua esposa.
E então, o que todos nós temíamos aconteceu: vovó partiu...
"Neoqeav" foi gravada em amarelo, nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores, do funeral da vovó.
Quando os amigos começaram a ir embora, minhas tias, tios, primos e outras pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.
Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e, num suspiro bem profundo, começou a cantar para ela.
Através de suas lágrimas e pesar, a música surgiu como uma canção de ninar que vinha bem de dentro de seu ser.
Sentindo-me muito triste, nunca vou me esquecer daquele momento.
Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender completamente a profundeza daquele amor, eu tinha tido o privilégio de testemunhar a beleza sem igual que aquilo
representava...
Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando:
"Mas o que Neoqeav significa?"
Essa linda palavra quer dizer:
"NEOQEAV" = NUNCA ESQUEÇA O QUANTO EU AMO VOCÊ!!!
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